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Resenha: Marshmallow – Dorothy Koomson





Quando Kendra Tamale regressa à Inglaterra, fugindo de velhas mágoas e em busca de um novo começo, aluga um quarto de Kyle, um homem separado e pai de dois filhos, de quem se aproxima, contra todas as suas expectativas. Porém, essa amorosa e simpática mulher esconde algo sombrio em seu passado. O que acontecerá quando esse segredo vir a tona e Kendra tiver que enfrentar seus próprios demônios? A única forma de remediar a situação é confessar o erro terrível que cometeu há muitos anos atrás, algo que prometeu nunca fazer. Marshmallow: O que pode acontecer quando se abre o coração para completos estranhos, escrito por Dorothy Koomson, é uma história de redenção e, sobretudo, amor. A autora aborda de maneira delicada temas polêmicos como o alcoolismo, ressaltando a importância do apoio da família na superação de momentos difíceis.


Marshmallow é uma história muito bonita, bem escrita, com um desenvolvimento muito envolvente e é uma leitura leve.

Aqui vemos a história da Kendra, uma mulher que para fugir de uma situação insustentável saiu da Austrália onde morava e tinha sua carreira, para voltar à Inglaterra, sua terra natal, em busca de um novo começo e superar sua história desagradável.

Quando volta à Inglaterra passa a morar num pequeno apartamento que fica anexo à casa dos Gadsborough, uma família que também está passando por mudanças drásticas, composta pelo pai Kyle, a mãe Ashlyn e os gêmeos de seis anos Summer e Jaxon. Kyle e Ashlyn estão iniciando o processo do divórcio e ela se mudou para os Estados Unidos da América.

Depois que Kendra chega em seu novo lar é surpreendida ao sair do banho pelos filhos de seu senhorio, o que lhe deu a entender que sua moradia na Inglaterra não será tão tranquila quando esperava.

Em poucos dias Kendra já está envolvida cada vez mais na vida dos gêmeos e fazendo com que a vida deles fique mais leve. Principalmente pelo café da manhã mágico e especial que Kendra mostrou para eles, onde os marshmallows são parte importante.

Só que tudo se complica com a chegada de uma carta inesperada, um encontro desagradável e a volta da Ashlyn disposta a levar seus filhos para viverem com ela.

Aos poucos vamos conhecendo os pormenores de todos os segredos que envolvem a vida da Kendra e os sentimentos vão se modificando e se revelando aos poucos de uma forma bem plausível e encantadora. E os momentos em que percebemos que o perdão e a aceitação são os sentimentos mais importantes.

Esse livro é muito bom, mas creio que o teria curtido mais se fosse algo mais próximo do meu gosto literário.

Super recomendo para quem gosta de belas e bem escritas histórias onde os sentimentos mais variados são explorados e a autora consegue nos envolver neles completamente.




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Todos os Mentirosos – Lucas Mota




Leo descobre ser capaz de fazer qualquer um dizer a verdade. Saturado com a rotina de um emprego que o desagrada, decide experimentar seu novo poder enfrentando as mentiras a sua volta. Mas quando expõe algumas verdades, sofre a inevitável represália de uma cidade acostumada com ilusões, encarando o autor dos maiores embustes de sua vida.





Esse livro é pequeno e sua leitura é bastante rápida já que a escrita do autor é bastante concisa e fluida.

Leo, o protagonista e narrador da história, é um rapaz que odeia mentiras, independente do que motive a mentira, para ele nada justifica a não utilização da verdade.

Ele trabalha numa agência de publicidade e odeia ter que inventar mentiras para vender os produtos. Quando de repente ele decide que irá investigar o que está acontecendo na política local, já que existe muitas mentiras e engodos nesse meio.

Ele então usa seu poder para fazer com que um assessor de um dos grandes políticos confessar o envolvimento desse politico com um esquema criminoso. Com isso Leo é convidado para fazer entrevistas num canal de TV e com isso ele acaba se envolvendo cada vez mais em algo que foge ao seu alcance e compreensão.

Leo, então, se afunda mais e mais no seu desejo de descobrir a verdade e acaba não percebendo o que de fato está acontecendo na sua vida e na dos que o cercam.

E não gostei nadinha do Leo, ele é muito extremista e exagerado, como fiquei com raiva de algumas atitudes dele... Cheguei a desejar seu sofrimento pra quem sabe ele acabasse aprendendo a ver as coisas de forma mais relativa.

Contudo a forma como o Lucas desenvolve sua história é muito legal e faz com que você queira saber no que acabará acontecendo após as ações do Leo. Eu fiquei presa na história até o fim. E que final!! Acredito que compensa toda a raiva que eu tive durante a leitura e me surpreendeu bastante.

Recomendo esse livro a todos, principalmente quem gosta de uma história que lhe faça refletir.



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Resenha: Sinfonia Agridoce - Nicole Chaves




Quando Echo é acordada por uma melodia que ela não consegue tirar da cabeça e a visão de uma jovem desconhecida, ainda que estranhamente familiar, ela está determinada a desvendar tudo sobre essa cena peculiar. Um mistério parece rondar a garota desconhecida e Echo está determinada a entender melhor o que aconteceu com a jovem e ao mesmo tempo ter respostas sobre a melodia que parecer ser o elemento essencial para o seu despertar. Em busca de respostas, Echo irá explorar a conexão com a garota misteriosa, principalmente ao perceber que as duas podem compartilhar mais do que um passado cheio de segredos, como sentimentos de culpa e tristeza.



Eu conheci a autora num evento aqui na cidade, Fortaleza, e não resisti à curiosidade de conhecer o que ela escreve, afinal me pareceu bastante interessante. Ela já publica suas histórias no Wattpad (que eu ainda não conheço) e decidiu que iria agora publica-las. A autora criou o The 29 Chapters, um sistema em que suas histórias são contadas em 29 capítulos, o que achei muito interessante.

O que falar desse título, quando o vi imediatamente fiquei com vontade de ouvir a música maravilhosa do The Verve, que, acredito eu, serviu de inspiração para a história em si. E posso afirmar que a experiência foi muito boa!

A história é narrada em primeira pessoa sob o ponto de vista de Echo, um personagem bastante interessante e que gostei bastante de conhecer, e se foca basicamente na sua interação com a garota que ela encontra assim que desperta para a consciência.

Não existem muitos detalhes sobre as personagens, mas com o desenrolar da história podemos conhecê-las um pouco, bem pouco mesmo, mas creio que como se trata de um primeiro volume, pode-se esperar que outras informações sejam dadas nos volumes que virão.

Não posso falar mais sobre a história, senão perde o encanto e estarei dando spoilers!!

Mas posso dizer que a escrita da Nicole é muito boa! Eu li esse e-book em pouquíssimo tempo, achei que fosse demorar já que estou numa fase preguiçosíssima de leitura, porém a escrita é tão cativante que só parei quando acabou (e que pena que acabou).

Normalmente não gosto de livros em primeira pessoa, acho bem limitante, só que aqui não foi incômodo e é plenamente compreensível essa escolha.

Quero muito ler mais da história de Echo!

Recomendo bastante a todos que queiram uma leitura leve e envolvente, que levam sua imaginação a um novo nível!

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Resenha: A Torre Negra - C. S. Lewis




Continuação memorável das fantasias de C. S. Lewis, estas seis histórias revelam mais uma vez o poder e a visão deste importante contador de histórias, um dos nomes centrais da literatura de fantasia universal. A Torre Negra é um esboço de um quarto volume que daria continuidade à aclamada série de ficção científica de Lewis conhecida como Trilogia cósmica. Uma história cativante que continua as aventuras de personagens como Dr. Elwin Ransom e MacPhee. Na trama, cinco homens se reúnem no escritório de Orfeu, na Universidade de Cambridge, para testemunhar a violação do espaço-tempo por meio do cronoscópio, um telescópio que não olha apenas para um outro mundo, mas para outras dimensões. Ao longo das narrativas, seus personagens travam debates brilhantes sobre a matéria, no tempo e no espaço. Para os fãs de Crônicas de Nárnia e da Trilogia cósmica, este é um livro imprescindível.


Quem gosta de ficção fantástica com certeza conhece o nome de C. S. Lewis mesmo que nunca tenha lido nada dele. Ele escreveu a Trilogia Cósmica que trata sobre viagens interplanetárias com uma abordagem bastante plausível e, o que eu adoro, com um tremendo respeito às leis que governam a física.

A Trilogia Cósmica é composta pelos seguintes livros: Além do Planeta Silencioso, Perelandra e Uma Força Medonha. O personagem principal dessa trilogia é o filólogo Elwin Ransom que foi levado a outros mundos de uma forma não muito tranquila e isso o marca profundamente.

O mesmo Elwin Ransom retorna em A Torre Negra, uma história que supõe-se que seja parte da Trilogia Cósmica. Aqui quem narra é seu amigo, C. S. Lewis (sim, ele é um dos personagens além do narrador da história). No final do primeiro volume da Trilogia Cósmica, Ransom afirma a Lewis que não haveria como fazer viagens pelo espaço sem que essas envolvam o tempo. E essa é a premissa principal em A Torre Negra.

O livro é composto por 6 histórias, a primeira que dá nome ao livro é a maior e eu considero uma novela, A Torre Negra; que está incompleta infelizmente. Antes de entrarmos na história realmente, temos um prefácio de Walter Hooper, que era secretário do Lewis, e foi o responsável pela publicação desta obra, então ele explica como encontrou os papéis e o que o motivou a publicar mesmo estando incompleto.

As outras histórias são contos e alguns bem pequenos, são O Homem que Nasceu Cego, As Terras Fajutas, Anjos Administradores, As Formas das Coisas Desconhecidas e Depois de dez Anos. Em seguida vem duas notas sobre a última história, uma de Roger Lancelyn Green e outra de Alastair Fowler que foram pessoas com quem Lewis conversou sobre essa obra.

Em A Torre Negra a história é contada por Lewis, que está no escritório de Orfeu, junto com MacPhee, Ransom e Scudamour e diz respeito à utilização de um cronoscópio, que é um equipamento capaz de mostrar um período de tempo diferente do atual. Eles chamaram esse outro período de Outrotempo e nesse tempo havia uma estrutura que dominava a visão, uma torre que eles denominaram de Torre Negra.

Com o passar do tempo começaram a perceber certas semelhanças entre o mundo em que viviam e o mundo que observavam pelo cronoscópio e por uma certa circunstância, um deles é enviado para o Outrotempo. Não posso falar mais, já que é uma história curta, mas a narrativa é excelente e mesmo estando incompleto é uma excelente leitura. No final possui uma nota do Walter Hooper sobre as buscas por mais páginas dessa história.

A segunda história, o conto O Homem que Nasceu Cego, trata de Robin que acabou de fazer uma cirurgia para poder enxergar e quer muito compreender o que é a luz e conseguir alcança-la.

A terceira, As Terras Fajutas, é a história em que alguém se vê em um ambiente onde quase tudo parece uma versão fajuta do que realmente é. O final é muito bom e me deixou bastante reflexiva.

A próxima é Anjos Ministradores que fala sobre um grupo de homens explorando Marte quando chega uma nova nave trazendo mulheres que devem servir para amenizar o estresse psicológico dos cientistas, mas acaba bem diferente. Esse conto me fez rir bastante.

Depois vem As Formas das Coisas Desconhecidas diz respeito à viagem de um jovem que se voluntariou para ir até a Lua saber o que aconteceu às expedições anteriores, que assim que chegaram só conseguiram mandar mensagens sobre a aterrissagem e os aspectos da Lua antes de serem interrompidos por algo ou alguém. Aqui ocorre uma deliciosa mistura de ficção científica com mitologia clássica.

Por fim temos Depois de Dez Anos que mostra a conquista de Tróia pelos gregos e espartanos pela visão do Lewis, de uma forma bem surpreendente. Gostei bastante de como ele escreveu as sensações e acontecimentos, parecia até que estava participando de tudo enquanto lia. As notas finais dão um melhor entendimento sobre o que Lewis estava planejando com esse fragmento e eu adoraria ter podido ler o romance que sairia daí.

Enfim, recomendo bastante esse livro a quem conhece e gosta da escrita do Lewis, a quem queira se divertir com o estilo próprio de escrita do autor e para quem gosta de um bom livro.




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Resenha: O Feiticeiro de Terramar - Ursula K. Le Guin




Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda. Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários. Publicado originalmente em 1968, O feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter. E Ursula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman.


Ursula K. Le Guin é um dos nomes mais proeminentes da ficção científica e fantástica, ela completou 87 anos em 21 de outubro desse ano (2016). E por utilizado vários elementos e padrões inovadores para o gênero têm servido como inspiração para os grandes nomes da fantasia atual, como Patrick Rothfuss e Neil Gaiman, por exemplo.

Bastante aclamada por seus livros de ficção científica e fantasia, Le Guin conseguiu algo que muitos consideravam bastante improvável, vender seus livros utilizando seu nome e sexo verdadeiros. E isso foi mais uma das coisas que a tornam tão grandiosa.

O Ciclo de Terramar deve ser sua obra de fantasia mais aclamada pelos leitores, composto por 5 livros. O primeiro foi lançado esse ano pela Arqueiro, O Feiticeiro de Terramar (A Wizard of Earthsea – 1968). Normalmente a Arqueiro tem o costume de colocar na última capa os próximos títulos de uma série, mas nesse caso fez isso e não sei os nomes dos próximos livros.

O Feiticeiro de Terramar é a introdução ao mundo de Terramar, mostra a história do Gavião (seu nome comum)/Ged (seu nome verdadeiro), um jovem órfão que cedo descobre sua destreza em magia e quando consegue salvar seu povoado de um ataque bárbaro, é procurado por um mago para o enviar a uma escola de magia onde possa aprender mais e desenvolver seus poderes.

Com uma história leve, mas ao mesmo tempo bastante reflexiva, Le Guin nos mostra que ambição sem limites e uma vontade de ser melhor e maior que os outros pode ser bastante perigoso. Além de que se deixar-se levar pelo ódio e pela inveja não levará a pessoa a um caminho de luz.



Gavião é um rapaz bastante inteligente e tem uma facilidade surpreendente em aprender sobre magia e tudo que envolve o aprendizado mágico. Também é um rapaz bastante hábil e competente em tudo o que se propõe a fazer. Contudo, como um jovem orgulhoso que quer provar que pode se tornar o mago mais importante que já existiu, se deixou levar por sentimentos não muito iluminados e acabou despertando o mal ao tentar executar uma magia proibida. Esse feitiço libera uma sombra que deseja sua morte para poder usá-lo para seus fins maléficos.

A partir de então Gavião termina seu treinamento bem diferente de como o começou, passa a ser um jovem marcado pelos seus atos e sem confiança alguma em si mesmo. Sabendo que no momento em que ultrapassar as fronteiras que protegem a escola da magia irá voltar a confrontar a sombra que libertou e terá que lutar por sua vida.

Quando lhe é pedido que viajasse até certa parte de Terramar, ele começa sua incrível jornada de saber quem é de verdade, de conhecer-se e seu crescimento é incrível. Gostei bastante de como a Le Guin conseguiu desenvolver a personalidade do Gavião, como a cada folha passada pude conhecer uma nova faceta dele e em como ele cresceu com cada experiência!

Num primeiro momento seu objetivo é fugir do mal, tentar se manter longe e escondido, mas terá um momento em que ele não poderá escolher e deverá enfrenta-lo. E foi muito bom acompanhar cada fase do Gavião nesse primeiro grande obstáculo em sua jornada para se tornar o mago que ele está predestinado!

O livro possui um mapa que a Le Guin disse no posfácio ter sido a primeira parte da criação de Terramar. Depois de fazer o esboço do mapa e ter nomeado cada recanto, passou a conhecer cada um deles juntamente com Gavião. Amei esse posfácio, parece que ela está sentada na nossa frente explicando como criou e desenvolveu essa série.

A escrita da Le Guin como sempre muito fluida e envolvente segue o desenrolar do autoconhecimento do Gavião, nos levando junto. Vamos conhecendo mais sobre as lendas e histórias de Terramar a cada página e estou super ansiosa pelos próximos livros.

Assim, recomendo bastante esse livro a todos que gostem de uma ficção fantástica bem desenvolvida, coesa e naturalmente fascinante.




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Resenha: Psicose - Robert Bloch



Livro que deu origem ao mais famoso filme de suspense de todos os tempos. Psicose conta a história de Marion Crane, que foge após roubar o dinheiro que foi confiado a ela depositar num banco. Ela então vai parar no Bates Motel, cujo proprietário é Norman Bates, um homem atormentado por sua mãe controladora. Belo suspense, de tirar o fôlego!


Essa foi uma das muitas histórias que conheci primeiro o filme e depois, bem depois mesmo, li o livro. Mas quem não conhece essa história? Afinal, o filme do Alfred Hitchcock é um clássico e a cena do chuveiro é icônica! 

Creio que mesmo quem nunca viu o filme completo conhece a cena do banheiro (aquela que uma mão chega empunhando uma faca e abre a cortina) e a trilha sonora que é fenomenal.



Quando Hitchcock leu a história criada pelo Bloch imaginou como ela ficaria maravilhosa se transposta para as telas dos cinemas. Ele conta que imediatamente comprou os 3.000 exemplares que estavam disponíveis nas livrarias para que ninguém conhecesse o desfecho dessa história e o filme conseguisse impactar. Com isso percebemos que Hitchcock era um gênio e que ele realmente conseguiu seu intento, pois esse filme foi, e é, um dos grandes filmes de suspense que existem.

Como já havia assistido a esse filme na infância, lembrava-me do plot twist da história quando comecei a ler o livro, mas não recordava de quase nada mais e a leitura foi extremamente gratificante.


Bloch se inspirou na história real de Ed Gein, um assassino que viveu em Wisconsin, para criar seu Norman Bates e forjar as peculiaridades de sua relação com sua mãe.

Norman Bates é, junto com sua mãe, dono de um motel na beira de uma antiga estrada onde quase não transita mais nenhum veículo desde que a nova rodovia foi construída. 

O motel encontra-se bastante isolado e são pouquíssimos clientes que aparecem, fazendo com que Norman passe o tempo lendo muitos livros.

Numa noite chuvosa, Mary Crane está fugindo depois de roubar 40 mil dólares do seu patrão e encontra-se perdida, já que a chuva e o nervosismo a fizeram perder o desvio para a rodovia que lhe levaria para a casa de seu noivo, Sam Loomis, e finalmente poder casar com ele. Contudo, como errou a entrada para a rodovia, acabou indo parar no Bates Motel.

A partir de então a história começa a se desenrolar. E ela é recheada do mais puro suspense, nos fazendo tentar imaginar o que acontecerá em seguida, quem está falando a verdade, quem realmente é o assassino. A forma como o Bloch escreve é muito dinâmica e totalmente envolvente. Mesmo que eu já conhecesse o segredo da história, a leitura foi extremamente válida.

Recomendo demais a leitura desse clássico para quem conhece já a história, para quem não a conhece, mas gosta de suspense bem escrito. Na verdade acredito que é o tipo de livro que agradará a todos os leitores! Então, leiam Psicose!!!! E vejam o filme, e se quiserem complementar a personalidade do Norman, assistam a série Bates Motel!





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Resenha: Nerve - Jeanne Ryan




Você já se sentiu desafiado a fazer algo que, mesmo sabendo que pode se arrepender depois, acaba levando em frente? A heroína deste livro também.  Vee cansou de ser só mais uma garota no colégio, e quer deixar os bastidores da vida para assumir seu merecido posto sob os holofotes. E o jogo online Nerve, febre nacional transmitida ao vivo, pode ser o início dessa trajetória de sucesso. Basta que ela clique no botão “Jogador” em vez de “Espectador” para entrar na disputa, que propõe, a cada etapa, um desafio novo. A adolescente acaba formando uma dupla imbatível com Ian, um garoto desconhecido com quem trava contato ao se inscrever em Nerve. Juntos, vão galgando posições no jogo. Mas, conforme os dois avançam na disputa, os desafios ficam cada vez mais complexos... e perigosos.

"Nerve" é o segundo livro da autora Jeanne Ryan, possui 304 páginas divididas em 21 partes que nos prendem do começo ao fim. 

A leitura é bem fácil e a estória bem simples, as páginas são amareladas. A maneira como os temas centrais são tratados é bem sutil.

O limite da privacidade é ultrapassado inúmeras vezes no livro, retratando como as pessoas perdem a empatia diante daquilo que elas veem pelas telas de seus celulares.

Mostra, também, como a manipulação para se atingir a fama na internet é real e que a traição para se atingir o que é desejado vem de quem menos esperamos. O medo, a raiva e a dor são vistas por uma lente de aparelho celular tornam as pessoas menos humanas.

A necessidade de auto afirmação na adolescência, de precisar provar coragem também preenchem as características dos personagens que compõem a estória. 

O real valor de recuperar a privacidade se mostra mais importante do que o escudo de aplausos de estranhos que só trazem um conforto momentâneo. Mostrando como cada pessoa age e o que elas são capazes de fazer e de abrir mão para conseguir aquilo que se deseja.

Por ser uma estória simples e retilínea com uma dose de suspense é possível ler o livro em 2 dias. O jogo, os desafios, as câmeras e tudo que os cercam nos prendem tornando o livro envolvente. Nerve parece ser um jogo de “verdade ou desafio” mas a única escolha para conseguir os prêmios é o desafio.

O livro inspirou ao filme Nerve: um jogo sem regras, com duração de 1 hora e 36 minutos, foi lançado esse ano no Brasil que infelizmente já saiu de cartaz em minha cidade.




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Resenha: It, a coisa - Stephen King



Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa.


Em 'It - A Coisa', clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

'It, a Coisa' foi lançado em 1986, meu ano de nascimento (é só coincidência, mas amo essa coincidência), pelo notável escritor Stephen King. Autor esse que, creio eu, todos já ouvimos falar, mesmo que nunca tenhamos lido nada dele (muitos filmes bastante conhecidos são inspirados em obras do autor).

Antes de começar a falar propriamente do livro, vou pedir licença a vocês e contar minha história de amor por esse livro!!

Eu comecei a ler cedo, tive muito incentivo de minha mãe, e intercalava leituras mais infanto-juvenis com outras mais “adultas”. Aos 11 anos já me interessava por Agatha Christie, mas adorava ler a série Vaga-Lume... Logo cedo percebi que mesmo gostando de ler quase tudo que me caía nas mãos, acabava dando mais atenção aos livros de romance policial e ficção científica.

Achei meu gênero favorito quando vi minha mãe lendo um livro com uma capa fantástica... Ela estava lendo 'It, a Coisa' numa edição da editora Francisco Alves, de 1989. Mas minha mãe me achava muito nova para ler aquele calhamaço e me emprestou o livro Christine, que foi o primeiro livro do King que li e amei! Depois de ter lido outros dois livros dele, a mãe finalmente me permitiu ler 'It' e foi impressionante o quanto essa história foi um marco na minha vida.

Vamos a ele finalmente...

Em 'It' a história é contada intercalando o que aconteceu no passado, em 1958, e o que está acontecendo no presente, em 1985, na cidade de Derry. Ele contêm 23 capítulos, 5 interlúdios e um epílogo, que são divididos em 5 partes, A Sombra Antes, Junho de 1958, Adultos, Julho de 1958 e O Ritual de Chüd.

Os principais personagens desse livro são os sete amigos, Bill, Mike, Ben, Stan, Richie, Eddie e Bev, os integrantes do Clube dos Otários, que tiveram sua vida marcada pela Coisa de uma ou outra forma. Aqui a história é escrita em terceira pessoa, o que dá excelente perspectiva dos acontecimentos.

A história inicia com o ataque da Coisa ao irmão do Bill, George, em 1957, que acabou sendo o pontapé inicial para a reunião dos nossos protagonistas no verão seguinte, em junho de 1958. Em seguida nos mostra o ataque dela em 1984, que motiva o reencontro deles em 1985, quando Mike, que ainda mora em Derry, decide que é a hora deles voltarem e terminarem o que começaram 27 anos antes. Só que agora a Coisa não quer somente se alimentar, ela quer se vingar de quem atrapalhou seu último ciclo e não medirá esforços para destruí-los.

É muito interessante acompanhar o encontro e amadurecimentos dos garotos e da Bervely, como a amizade de desenvolveu entre eles e como cada um pode contribuir a sua maneira para enfrentar esse mal que mais ninguém se importou de tentar exterminar.

As mudanças da época em que a história é contada podem parecer que confundirá o leitor, mas bem diferente do que possa aparentar, King escreve de tal forma que tudo ganha uma fluidez impressionante, parece até natural ler uma história em que você acaba sendo apresentado ao que já se passou ao mesmo tempo em que conhece o que está acontecendo no presente.

O livro possui, na edição atual da Suma de Letras, 1.103 páginas só que momento algum King teve que apelar para discursos prolixos ou “encheção de linguiça”. Existem algumas partes bastante descritivas e podemos achar desnecessárias, só que mais a frente acabamos percebendo sua necessidade. Cada personagem tem sua razão de existir e as personalidades são trabalhadas de uma forma tão extraordinária que acabamos a história com a certeza que conhecemos realmente cada um deles e entendemos as motivações por trás de cada ato.

Pode-se parecer que a história diz respeito à coulrofobia, o medo de palhaços, mas na verdade é uma trama tão maior. Ele usa o aspecto do palhaço Pennywise, que por ser algo mascarado, mas de uma forma engraçada, pode inspirar confiança, só que continua sendo uma mistura de felicidade fingida com intenções ocultas. A Coisa, na verdade, é a personificação do mal, ela consegue sintetizar seu pior medo e usá-lo contra você, de forma que você seja aniquilado por ele.

A Coisa é um ser bastante complexo e ímpar. Nesse livro temos vislumbres de sua origem e ela é bem perturbadora, além de como ela age, que é bastante incômodo (não tem como não ler e tentar imaginar em como ela iria aparecer para mim). Ela faz parte de Derry ou, quem sabe, Derry faz parte dela. A cidade é como se fosse seu delivery e como ele não é tão explícito, as mortes causadas por ela são sempre “explicadas”.

E o que falar de Derry?? Stephen King tem uma impressionante capacidade de “dar vida” às cidades quem ambientam suas histórias, fazendo delas parte essencial das tramas. Aqui não é diferente, Derry é a soma de todos os moradores, visitantes e acontecimentos, conhecemos não só as pessoas, mas sim o organismo “cidade”.

Mas a história não se trata somente disso, ela nos mostra a verdadeira face da amizade, do medo, da covardia, da maldade, do amor, da saudade, do preconceito... De uma forma que muito mais do que nos fazer ter medo, nos faz refletir sobre esses aspectos de uma forma impactante, afinal aqui vemos claramente a luta contra algo irracional que é o medo, de uma forma que ou você o vence ou encara sua morte.

Tanto na minha primeira leitura quando nas posteriores sempre me senti incomodada com esse livro, ele nos faz sair de nossa zona de conforto, nos faz sentir como se algo estivesse à espreita, só que temperado com momentos engraçados.

Existe um certo momento das crianças que quem leu sabe do que se trata que muitos torcem o nariz e dizem ser algo absolutamente de mau gosto e desnecessário para o desenrolar da história. 

Todavia, na primeira vez que li fiquei boquiaberta e não entendi bem o que havia acontecido. Depois quando reli acabei desgostando do que aconteceu. Só quando resolvi reler em 2014, me surpreendi quando acabei entendendo o porquê de sua existência... Acho que precisava amadurecer a ideia.

Poxa, como foi complicado escrever isso sem revelar nada que pudesse acabar sendo um spoiler, já que o livro possui uma trama com subdivisões e em cada parte algo é revelado...

Maravilhoso e super recomendo!!!


“O palhaço segurava vários balões de todas as cores, como lindas frutas maduras, em uma das mãos. Na outra segurava o barco de papel de George.
– Quer seu barco, George? – O Palhaço sorriu.
George sorriu também. Não conseguiu evitar; era o tipo de sorriso que você tinha que retribuir. – Claro que quero – disse ele.
O palhaço sorriu. – “Claro que quero.” Isso é ótimo! Isso é muito bom! E que tal um balão?”

“– Eles flutuam – rosnou a coisa –, eles flutuam, Georgie, e quando você estiver aqui embaixo comigo, também vai flutuar...”



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