Resenha: eu te odeio! - Corey Taylor
Mascarado, Corey Taylor arrasta multidões cantando músicas aterrorizantes com o Slipknot. Ele tem muito mais a dizer e não será nada delicado! Eu te odeio! é uma crítica direta, sem meias palavras, ao mundo moderno e a tudo aquilo que consideramos comum. Responsável pela condução de uma banda onde os integrantes vestem máscaras típicas de um filme de terror, Taylor faz uma avaliação devastadora, e ao mesmo tempo engraçada, sobre a sociedade atual, alfinetando os padrões de comportamento humano a partir de histórias reais vivenciadas por ele. Trabalho, escolas, educação dos filhos, a preocupação com o planeta, programas de televisão, bebida, drogas, reuniões de famílias e outras práticas do cotidiano são ridicularizadas pelo vocalista. Não se engane: o autor deste livro não é o Corey Taylor sem máscara, normalmente educado. Também não é o profissional que se preocupa com os fãs e os atende educadamente. Este é o nº 8! É aquele mascarado que canta músicas infernais no Slipknot. E ele está sem limites! Engraçado, profano, blasfemo e, acima de tudo, verdadeiro, Eu te odeio! é a pior versão de Corey Taylor e expõe o que há de mais insano e ridículo na sociedade moderna.
Quem gosta de um rock mais pesado conhece
quem é Corey Taylor, pelo menos aquele ser que ele se transforma para cantar no
Slipknot. Eu não sou muito fã de músicas assim, mas não posso negar que algumas
faixas deles fazem parte da minha playlist.
Quando vi os lançamentos da Planeta fiquei
super curiosa sobre esse livro, pois já havia ouvido falar sobre a forma como
ele escreve e me parecia ser algo que eu apreciaria. E realmente não me
enganei. Aqui ele usa a sinceridade de uma forma tão aguçada que chega a ser
engraçada.
Não tenho o costume de ler não ficção,
principalmente algo que tenha um teor, nesse caso bem leve, biográfico, mas não
resisti ao que ele queria contar nesse livro. Em especial depois de ler na capa
o seguinte: “Porque a moda, os reality shows,
a família, a escola, os shopping centers
e até a música são grande babaquices”. Senti que devia conhecer as opiniões
dele e posso afirmar que o tempo que passei lendo esse livro foi fantástico.
A forma como ele expõe os motivos que o fazem
odiar tais coisas me pareceu tão acertada que em diversos momentos me peguei
concordando totalmente com ele em como estamos rodeados de baboseiras e que a
cada dia surgem mais e mais.
Ele mostra em todo o livro que está aqui para
expor suas opiniões e dane-se quem achar isso ruim, não interessa a ele! Por
conta disso ele não sente necessidade de agradar a quem seja e mesmo em
assuntos que possam ser mais espinhosos ele consegue se expressar tão bem que
mesmo parecendo exagerado ou meio maluco, não consegui deixar de compreender
suas reações.
Enquanto ele fala sobre alguns assuntos que
ele odeia, pude perceber que ele também mostra bastante o que há de pior na
sociedade como um todo e que a maioria prefere se fazer de cega e fingir que
tudo está bem.
O livro é dividido em 11 capítulos onde em
cada um ele foca um assunto em específico, a linguagem, mesmo bem ácida, é
fluida e consegui me divertir bastante lendo. E antes de cada capítulo existe
uma imagem que ilustra o capítulo e são ótimas!
Ele conta passagens de sua vida para
exemplificar o assunto abordado e isso faz com que as pessoas acabem se
aproximando mais do que é narrado no livro. Ele realmente consegue fazer com
que pensemos fora da caixinha e eu sinto que precisamos cada vez mais de algo
assim.
Acho que mais me identifiquei como ele
abordou o assunto música. Ele fala sobre o uso excessivo do auto-tune, fala
sobre bandas roubarem descaradamente (e algumas vezes nem tão escondido) ritmos
e letras de outras bandas, e por ai vai. E quando ele afirma que a única coisa
boa dessas músicas atuais é terem feito com que ele buscasse no passado músicas
boas e como as encontrou. Como me identifiquei aqui, minhas bandas e músicas
preferidas são de antes que eu pensasse em nascer ou de quando ainda usava
fraldas!!! Não que hoje em dia não tenha algo realmente bom, mas realmente
temos que garimpar bastante entre as milhares de bandas dos tempos atuais para
conseguir algo que tínhamos em abundância antigamente.
Esse é aquele tipo de livro que acaba por
agradar a quase todos que tem a oportunidade de lê-lo. As opiniões dele são
engraçadas, sarcásticas, afiadas e bastante sinceras bem diferentes do que
estamos acostumados a ver pelo mundo afora onde a sinceridade é algo quase uma
blasfêmia...
Então indico esse livro a todo que desejam
refletir sobre como estamos hoje em dia, principalmente a forma que vivemos e
interagimos, mas sem apelar para a metafísica, mantendo os pés na terra e a
cabeça no lugar!




