Resenha: O Reino Selvagem – Simon David Eden
Quando Will-C, o gato de estimação da adolescente Drue, desaparece, ela não imagina que seu sumiço tenha a ver com uma iminente revolução, tramada nos recônditos das florestas de todo o mundo. O reino animal declara guerra aos humanos que, por séculos, destroçaram o que lhes é mais caro: o meio ambiente, o seu habitat, a sua casa. Nesse imenso e intenso conflito de proporções globais, os pets ficam numa encruzilhada quando precisam escolher o lado a apoiar: se o dos seus donos, dos homens, ou dos seus colegas naturais, os animais. Se o peludo e simpático Will-C tem dúvidas de que partido tomar, sua devotada e amorosa dona sabe muito bem o que precisa fazer: resgatar seu querido amigo e companheiro. Reino Selvagem vai além de uma aventura animal de proporções épicas e fantásticas, é a história de um amor verdadeiro, que irá emocionar, alertar e inspirar humanos, donos ou não de animais de estimação.
Quando vi a divulgação desse livro não me
empolguei muito, mas quando li a sinopse pensei que ele poderia merecer uma
chance e que o leria, então fui e o solicitei à editora. E podem ter certeza
que o livro me surpreendeu positivamente e fiquei feliz por ter lhe dado uma
chance =D
Ele é escrito em terceira pessoa, mas sob
diversos enfoques, ora com foco no que acontece com a Drue, ora com eu pai,
Quinn, ora com algum animalis, em especial o gato Will-C. E isso foi uma jogada
de mestre do autor, pois conseguiu passar bem o que acontecia sob pontos de
vista diferente e nos fazer ver tudo de forma mais ampla.
Drue é uma menina normal de 12 anos que é
criada pelo pai após perder sua mãe bem nova, com uma vida relativamente normal
e com um animal de estimação, o gato Will-C, que em determinado dia desaparece
e a partir de então nada mais será como anteriormente.
Certo dia seu pai manda que ela se tranque
num compartimento secreto em sua casa e só saia quando ele a vier buscar, o que
ela não faz e o que encontra do lado de fora do esconderijo é o perigo para
todos os lados.
Os animalis (a junção de todas as espécies do
reino animal) declararam guerra aos humanos e não há ordem de fazer
prisioneiros, tudo para evitar a chegada da Sexta Onda e com ela a destruição
de quase tudo o que conhecemos na Terra... Contudo os resignados, animais
domesticados, ficam divididos entre o desejo de proteger seus donos e a ordem
de seus superiores animalis.
É esse o quadro criado pelo autor e posso
dizer que é tudo muito bem pintado. A história é muito bem contada e me fez
refletir bastante sobre nosso papel aqui sobre a Terra e como somos descuidados
e desinteressados em preservá-la.
O livro lembra um pouco outro, A Revolução
dos Bichos, mas num nível global. Achei muito interessante como o autor
conseguiu juntar todas as espécies de animais nessa luta sangrenta e mortal
contra o homem e as lições que podemos tirar disso tudo.
Eu acredito que esse seja o primeiro livro de
uma série, apesar de não ter informações sobre isso em lugar nenhum (procurei
até cansar rsrsrsrsrs) porque o final não é o final da história. A sensação que
fiquei foi como se tivesse começado a ler um livro e decidisse parar no final
de um capítulo. Nada se resolveu e existem muitas dúvidas para serem
respondidas.
Nem preciso dizer como odeio quando as
editoras fazem isso... O que custa dar algum aviso de que é um livro parte de
uma série? Mas isso não tirou o brilho da obra, só me fez ficar mega ansiosa
pelo resto da história... Preciso saber o que aconteceu com certos personagens
que, apesar de não serem os principais, acabei me apegando.
A Drue, apesar de ser uma menina tão nova, só
mostrou a idade e toda a inocência e teimosia próprias dela em pouquíssimos
momentos e no decorrer da história, contrariando o que achei no começo da
história, acabei gostando dela.
Quinn Beltane é aquele tipo de personagem que
aparece pouco, mas faz e conta muito nesses poucos momentos. Acho que ele
merecia mais destaque (e torço muito para ele aparecer bem mais na continuação
dessa história).
Dos animais Will-C é um gato doméstico um
pouco incomum, começando pelo fato de só possuir 3 patas. Ele é muito leal a
sua dona, apesar de seu senso de responsabilidade com os animalis. Outro animal
que preciso mencionar é o Gallinago, uma narceja que permanece leal aos
humanos.
Recomendo demais esse livro para quem gosta
de histórias fantásticas bem escritas e que lhe prendem até a última página.





