Resenha: Em suas asas - Karina Zulauf Tironi
“Eu parecia uma intrusa no reflexo, como se fosse uma foto e eu fosse a garota que estava ocasionalmente passando ao lado na hora do flash. Eu sabia que Daniel conseguiria qualquer garota com mais curvas que eu e mais bonita se quisesse, mas, por algum motivo, ele me escolheu. Vou demorar um tempo ainda para entender isso completamente. Se é que um dia vou chegar a entender.” É realmente difícil acreditar em dimensões paralelas, mas quando Alice fica cara a cara com uma totalmente diferente da sua, onde cavalos possuem asas enormes, podem se comunicar por pensamentos e se transformarem para a forma humana quando quiserem, as coisas começam a ficar preocupantes. Naquele mundo há Cavalos Alados que esperam anos se preparando para receberem seus Escolhidos. Alice é a Escolhida de Daniel, mas demora muito tempo para lhe cair a ficha. Juntos, precisam realizar seis tarefas que o Desafiador lhes dá, e precisam cumprir todas elas com êxito. Mas, enquanto vão em busca de suas tarefas, Alice começa a nutrir um sentimento estranho e intenso por Daniel e ele por ela. O que acontecerá, visto que é altamente proibido o romance entre Escolhidos e Cavalos Alados? Alice irá resistir aos seus sentimentos, ou lutará por eles?
Nesse livro, que foi escrito quando a autora
tinha seus 13 para 14 anos, é contada a história de Alice, uma moça que foi
escolhida para cumprir seis missões no Reino Celestial. Um reino que se
encontra em outra dimensão. Para que as escolhidas possam cumprir suas missões
lhe são designados seus ajudantes e conselheiros escolhidos previamente dentre
os cavalos alados. Para a Alice havia sido designado o cavalo alado Daniel.
Nessa dimensão as coisas acontecem de forma
diferente, mas ao mesmo tempo possui muitas semelhanças com o mundo natal dela,
o que torna mais fácil a adaptação. Principalmente por seu cavalo alado ser
alguém por quem ela acredita que pode confiar e essa confiança é retribuída.
Após as pessoas escolhidas chegarem precisam
ir falar com o Desafiador que determinará quais seis tarefas a dupla deverá
realizar para que a escolhida possa retornar ao seu mundo e dar prosseguimento
a sua vida.
Durante as provas eles ficam alojados num
lugar chamado Asas Velozes, um hotel bastante utilizado pelos escolhidos e seus
cavalos alados. Além de ser local de descanso e alimentação, aqui é onde
ocorrem certos conflitos com outros personagens que achei meio sem nexo.
A Alice é uma personagem que até o final do
livro não me decidi se gostei dela... Ela é muito fraca em determinados
momentos que dava vontade de dar um tabefe na cara dela e manda-la ter
iniciativa ou deixar de certas frescuras... Se bem que tendo se machucado como
ela em certos momentos e não ter sentido nada depois é algo incrível.
Principalmente em determinado momento em que ela morde a língua a ponto de
sangrar, e muito, mas não sente dor... Tudo bem que é fantasia, mas ferimentos
são ferimentos...
Outra coisa que me incomodou um pouco foi que
em certo momento da história eles precisam mudar de nome para não serem
descobertos em sua missão, ele passa a ser Bruno e ela Miranda, mas por um
equívoco da autora e que a editora deixou passar, uma das personagens que só o
conheciam por Bruno, trata-o por Daniel, tanto que a Alice manda a moça
chama-lo de Dan. E isso me deixou confusa e atrapalhou um pouco o andamento da
leitura porque parei para reler esse capitulo desde o começo para saber se
teria como aquela personagem saber o nome real dele.
Nesse livro eu aprendi sobre o uso de bananas
em ferimentos, não conhecia as propriedades da casca, e claro que pesquisei
sobre, muito interessante isso.
A forma como a história se desenvolve me
agradou bastante, acho que a Karina tem potencial e que pode criar algo muito
mais fantástico daqui para frente.
O final só não me agradou mais porque fiquei
com certas dúvidas martelando a minha mente e que ainda não me deram sossego...
Sabe quando o final não preenche todas as lacunas? Que ficam informações a
serem dadas que, mesmo sem uma importância vital para a história, deixariam o
final redondinho? Faltou isso.
Também achei bem chato o fato da Chiado
Editora ter deixado passar tantos errinhos que seriam tão fáceis de serem
corrigidos, parece até que não se dedicam tanto no trabalho... No meio de parágrafos
de narrativa começa uma fala e só depois que percebia que era alguém falando e
não a Alice pensando ou lembrando de algo. Parágrafos partidos ao meio
quebrando a linha de raciocínio... São coisinhas pequenas que uma leitura mais
atenta teria notado e evitaria qualquer problema.
E eu recomendo muito esse livro pelo conjunto
da obra e por ter gostado bastante de como a autora escreve. Acredito que essa
será uma leitura rápida e prazerosa para a maioria das pessoas, principalmente
para as que gostam de um romance com empecilhos quase que insolúveis ;)
QUOTES:
“E
como deveriam ser os pensamentos de alguém? Será que frases passariam por baixo
do meu campo de visão como a tradução de uma música? Ou será que talvez eu
ouviria coisas com sua voz? Bem, eram, como certeza, muitas perguntas”. Pág.
39.
“Mesmo
não compreendendo, acenei com a cabeça. Deveria ser algo parecido com o
instinto maternal dos animais. Ninguém os ensina que têm de proteger os
filhotes a qualquer custo e alimentá-los regularmente. Eles, de alguma forma,
já sabem”. Pág. 48.
“Meus
pais sempre encararam minhas faltas de amizade e minha louca vontade de ficar
lendo em casa como um problema... Eu falava a eles que gostava de ser
diferente, mas só papai entendeu. Mamãe ainda acha que sou muito antissocial...
Diz que é por tal motivo que não tenho amigos. Mas ela está muito errada. Não
tenho amigos pelo simples motivo de não querer”. Pág. 67.
“Detesto
mentir, e tento fazer isso o mínimo de vezes possíveis. Mas tem vezes que
simplesmente não há mais opção”. Pág. 81.
"-
As coisas estão mudando...
- Que coisas?...
- Coisas que não deveriam ser mudadas.” Pág.
108/109.
“O
meu mundo é um lugar em que você nunca pode se sentir protegido demais, porque
você nunca está totalmente seguro. Nem todas as pessoas são más... Também
existem aquelas que só são suas amigas para conseguirem informações e favores.”
Pág. 165.
“Eu
ainda não sabia, mas o que tínhamos feito ainda iria desencadear muitas outras
coisas pela frente”. Pág. 174.
“Senti
vontade de bater minha cabeça repetidas vezes na parede para tirar logo aquelas
coisas indecentes da cabeça”. Pág. 177.
“Fiquei
feliz porque unicórnios deviam ser seres muito passivos e amáveis, então a
tarefa seria mamão com açúcar. Como eu estava errada”. Pág. 188.
“De
qualquer jeito, ele estava um amor comigo, todo preocupado. Parecia até minha
mãe – uma comparação estranha... Eles não tinham nada em comum, exceto, claro,
a preocupação excessiva”. Pág. 205.
“Mas
esse é o problema. Não posso deixa-lo lutar. Não quando o fim é óbvio”. Pág.
241.
“Quem
foi mesmo que disse que todos os homens não prestam? Porque eu encontrei um que
certamente vale a pena”. Pág. 251.




