RESENHA: Dark House - Karina Halle
Sempre houve algo fora do normal com Perry Palomina. Embora ela esteja vivendo uma crise ao passar pela síndrome pós-faculdade, assim como qualquer garota de vinte e poucos anos, ela não é o que chamaríamos de comum. Perry possui um passado que prefere ignorar, e há também o fato de que ela consegue ver fantasmas. Tudo isso vem a calhar quando se depara com Dex Foray, um excêntrico produtor que está trabalhando em um webcast sobre caçadores de fantasmas. Dex, que se revela um enigma enlouquecedor, arrasta Perry para um mundo que a seduz e ameaça sua vida. O farol de seu tio é pano de fundo de um mistério terrível, que ameaça a sanidade da moça e faz com que ela se apaixone por um homem que, como o mais perigoso dos fantasmas, pode não ser o que parece.
Eu
sou, como todo mundo que me conhece sabe, fascinada pela literatura do horror e
seus subgêneros. Leio livros policiais, suspense e terror desde criança e
conheço um tantinho de cada. Mas nunca me fixei nesses gêneros, muito pelo
contrário, sempre li de tudo, de romances de banca à literatura clássica.
Porém, sempre temos aqueles estilos que mais nos agradam e costumamos ler
bastante dele. No meu caso isso ocorre com o terror, suspense e romances policiais,
apesar de fantasia não ficar muito atrás...
Mas
vocês podem estar se perguntando o que isso tem a ver com o livro a ser
resenhado?
Vou
explicar:
Eu
não conhecia esse livro, não costumo ler resenhas antes de iniciar a leitura
(infelizmente), normalmente só procuro informações no decorrer da leitura ou ao
final. E com esse livro não foi diferente. Quando me foram oferecidas as opções
para escolher um livro e resenhá-lo, Dark House chamou minha atenção e, apesar
de ter ficado meio pé atrás com a sinopse, decidi que seria ele o escolhido. E
que decepção!! Esse livro pode ser classificado em muitas categorias, menos de
terror! Se trata, basicamente, de um romance de mistério. Não que ele seja de
todo ruim, só que é vendido como algo que ele não é! Isso explicado, vamos ao
livro propriamente dito.
Dark
House é narrado em primeira pessoa por Perry Palomino. E a história se foca quase
que exclusivamente nela, o que torna o livro bem chato, posto que nada nesse
livro, nem mesmo a protagonista, é bem desenvolvido. A Perry não é carismática
ou chamativa, não é aquele tipo de personagem que fixa sua atenção e lhe faz
querer saber o que acontece com ele. Ela tem 22 anos, é formada em publicidade
e trabalha numa agência de publicidade, mas como telefonista. Sua vida e
carreira são monótonas e ela é uma pessoa que quer tudo e nada ao mesmo tempo.
Além de estar fora dos padrões, pois é cheinha e desajeitada (como é dito
inúmeras e repetidas vezes durante a narrativa) e, na adolescência, foi bem
problemática.
A
história começa com Perry acordando de um pesadelo e percebemos que não é o
primeiro desse tipo que lhe aflige. Depois nos é apresentado seu, odiado,
trabalho e que, por conta da economia, não pode se dar ao luxo de largar. Sua
família decide passar um final de semana na casa de seu tio, onde existe um
farol bastante antigo, desativado e abandonado. E, num impulso, ela decide ir
visitar o farol levando sua câmera. Lá, depois de uns momentos bem esquisitos
um tanto sinistros, ela encontra Dex Foray, um produtor de webséries e,
aparentemente, um caçador de fantasmas.
Chegando
em casa, a irmã de Perry, Ada, a pede que alimente seu blog por uns dias, pois
ela está doente. Não tendo sobre o que escrever, pois sua irmã possui um blog
de moda e a Perry é gorducha e desajeitada (ela não perde a oportunidade de
explicar isso), ela posta sobre sua visita ao farol e posta o vídeo por ela
feito no Youtube.
Depois
disso sua vida toma outro rumo e ela é procurada pelo Dex para juntos fazerem
uma websérie sobre fantasmas. E, contrariando todo o bom senso, ela entra com
tudo nessa aventura e voltam ao farol do tio da Perry para gravarem o piloto
dessa série.
E
daí sai o resto da história. Mas quase nada ocorre no livro além de montes de
coisas sem qualquer explicação, nenhuma revelação ao final do livro, nenhuma
reviravolta, absolutamente nada que justifique o “Experimente o terror” da
capa.
Mas
nada supera o quanto a protagonista é sem noção e o quanto se sente deslocada
por ser fora dos padrões, sua paixão a primeira vista pelo Dex, que até o final
do livro não é desenvolvido nem apresentado realmente ao público. Imagina um
personagem coadjuvante que se torna bastante importante na história, mas que
ninguém além da autora, eu acho, sabe alguma coisa de sua vida.
Além
de não ter sentida a mínima sensação de terror, o livro me fez dar bastante
risadas de tão non sense que eram algumas situações. Não há qualquer relação
com a realidade, tudo bem que é ficção, mas não achei que leria algo tão
fantasioso...
Não
foi uma leitura que me prendesse, na verdade a estrutura narrativa é mal
desenvolvida, os personagens são superficiais e sem noção, além da escrita ser
bastante fraca também e o livro possuir muitas pontas soltas.
A
protagonista tem 22 anos, mas não age como alguém que tenha essa idade, parece
que sua irmã de 15 anos é mais velha que ela...
Chega-se
ao fim do livro sem que nos sejam explicados os acontecimentos no farol, temos
algo super corrido e mal elaborado. Terminei o livro com mais perguntas do que
deveria ou esperaria. Então resolvi saber mais sobre a história e descobri que
“Experimente o terror” é uma série bem longa, foram publicados, entre 2011 e
2014, 9 livros! Fiquei sem palavras, já que nada dava a impressão de que se
tratava de uma série, ainda mais desse tamanho...
Apesar
de ter me decepcionado com a leitura, ainda a recomendo, afinal por não ter
sido boa leitura para mim não quer dizer que não o seja para outra pessoa.




