A História Esquecida da Hospedaria na Estrada: C. A. Saltoris
Era uma vez... Uma fria noite de outono, em um país do Hemisfério Norte do terceiro planeta do Sistema Solar da Via Láctea, chamado Terra...Quando Mathew Roberts parte para visitar seu irmão em coma, ele é obrigado por seu estranho e repentino cansaço a hospedar-se em um hotel na beira da estrada. Ao ser recebido por uma jovem mulher com uma vela na mão, ele sente um frio descer-lhe pela espinha, mas não tem forças para voltar; como se ela fosse o imã e ele o metal. Ao pisar na recepção, ele começa a perder a memória. O TEMPO PASSA. INITERRUPTAMENTE. E ELE QUEM NARRA ESTA HISTÓRIA. Este é um Conto de Fadas... da Morte, sobre: criaturas não-humanas, um deus na puberdade, um amor impossível, escolhas e Sonhos Mortos.
Para
iniciar essa resenha, é necessário esclarecer que se trata de um romance onde
lidamos com a interpretação pessoal da autora sobre a música Hotel California,
da banda norte-americana Eagles. Que depois de anos sendo desenvolvida, foi
passada ao papel.
A
história é narrada por ninguém menos que Chronos! Sim, o próprio senhor do
tempo. E devo dizer que é muitíssimo agradável conhecer os acontecimentos sob
sua perspectiva, onde ele mesmo avisa que tentará ser imparcial. Ele como um
bom deus é onipresente, podendo nos colocar em contato com todos os
personagens, inclusive com ele mesmo, posto que além de narrador, também é
personagem ativo e extremamente cativante, diga-se. Ele entra na história
estando dentro do corpo de um rapaz de dezesseis anos, mas tendo preservado
todo o conhecimento próprio do deus e desfrutando os prazeres de estar num
corpo humano pela primeira vez.
No
início da história nos é apresentado Mathew Roberts, um homem de 35 anos que
vive uma vida sem paixões de qualquer tipo. Tem uma namorada que só permanece
junto por puro comodismo, já que há tempos ele havia matado seu maior sonho,
por nunca o ter realizado. E isso fez com que seu caminho se cruzasse com o da
hospedaria S’mentry Manor, uma hospedaria incomum que se localiza entre mundos
e que só pode ser encontrada por pessoas na mesma situação do Mathew, ou seja,
que tivessem sonhos mortos.
No
momento em que os próximos hóspedes avistam a hospedaria sua memória é
alterada, seus pensamentos embaralham-se e seu único anseio é chegar até a
hospedeira que os aguardam na porta com uma vela na mão. O mesmo ocorre com
Mathew que lembra-se de uma reserva feita por ele e que havia resolvido tirar
uns dias de folga de tudo. Ele não se lembrava que estava a caminho do hospital
para visitar seu irmão que tinha sofrido um grave acidente e encontrava-se em
coma.
Chronos,
durante sua narrativa, intercala de forma magistral acontecimentos atuais com
os que antecederam a chegada do Mathew na hospedaria, nos apresenta cada
“funcionário” da hospedaria e alguns dos moradores permanentes do local.
Chronos se mostrou hábil em intercalar os acontecimentos independente de quando
ocorreram, pois apesar de fazer incursões ao passado, nada altera a fluidez da
narrativa. E, não podemos deixar de citar, ele é apaixonado por nossa
hospedeira, desde o primeiro momento que ele a viu e por isso se encontra na
hospedaria num corpo de um rapaz, pois somente assim poderia estar próximo ao
objeto de seu amor... Por conta dessa paixão ele não é tão imparcial nas suas
narrativas, mas isso dá um toque a mais de encantamento à história e me
conquistou mais ainda!
A
autora criou seres dignos de pesadelos para tomarem conta da hospedaria e em um
capítulo em especial podemos conhecer seu real perigo. E vemos, pela primeira
vez, a fada Linumê, nossa hospedeira, hesitar diante de sua função e com isso
causar um imenso desequilíbrio no submundo, trazendo perigos para todos os
envolvidos.
Linumê
não é qualquer fada. Ela é uma fada da morte, guardiã do portal e responsável
por “recolher” dos seus inquilinos seus sonhos mortos, posto que é com eles que
as coisas no submundo funcionam. Ela não é boa, mas cruel. Afinal os seres
humanos que ela hospeda são apenas um meio para adquirir o que precisa. Mas com
o passar das páginas vemos outros aspectos e nos encantamos com a hospedaria e
seus moradores. Eu acho até que gostaríamos que algo assim fosse real...
O
final foi simplesmente assombroso e inimaginável... Durante a leitura,
principalmente nas últimas páginas não conseguia imaginar como a história se
resolveria, pois me parecia não haver como terminar bem...
Achei
a diagramação muito boa e a capa formidável!! Amei a capa desde o primeiro
momento que a vi. Como não pode deixar de ser, principalmente sendo uma
primeira edição, alguns erros de digitação, mas nada que incomode ou atrapalhe
a leitura.



